sexta-feira, 14 de março de 2008

A Rosa


Vermelha, porque tingida de sangue
Crime passional em plena Manhattan
Tá, sejamos menos pernósticos
Num apartamento da Graça

Um prédio velho
Homem maduro que bebe whisky ao som de vinil

Vinho, ela pede
Não, ele diz
Por quê?, ela insiste
Por mim, ele ri

Egoísta, ela alega
Submissa, ele, fim.



Vergonha para seu ego balzaquiano
O orgulho anuncia que é hora de partir

Muda o disco, ele manda
Foda-se, ela diz
Por favor?, ele pede
"Ora, aprendeu com os gentis?!"

Não se vá, você gosta de Jazz...
Gosto, até mais que de você
Uma rosa?
Me deixe
Lhe dei uma rosa!
Me solta!


Um tiro.




PS: A todos, um Feliz dia da Poesia! (e um póstumo Parabéns aos grandes "piscibaianos" Glauber Rocha e Castro Alves)

Foto superior: Luciana Zacarias
Foto do meio: cena com a atriz Mia Kirshner, no filme Dália Negra.