quinta-feira, 3 de maio de 2007

Adeus

As palavras entram de maneira suave em meus ouvidos
Por dentro, espetam como finas agulhas que incitam o choro
E causam a paralisia que só excede o coração

É hora
Nada de belo a ser dito
Nem esperança a ser citada
O tempo, esse sim é irremediável

Mas não se trata de tempo
São caminhos que tecem rumos distintos
O sentimento é atemporal
Mas a emoção é cotidiana

Nem notei o óbvio
Mas não me espanta que ocorra
Egoísmo negar um pedido tão sincero
Não confunda com educação

Vai com as folhas
Antes que chegue o inverno e o frio te tome por completo
Não se arrependa de nada
O bom da vida é mesmo usá-la como página de rascunho, usada

Espontaneidade há muito havia deixado de ser o meu forte...
Não mais
Agora me exponho tal criança sedenta por experiência
Me lanço ao desconhecido assustadoramente sedutor
E, ao mesmo tempo, ainda estou sozinha envolta no manto do cuidado
Com só um objetivo fixo capaz de cegar qualquer medo

Não importa o que quero dizer, não estou sendo generosa
Apenas preciso fazê-lo

Muitos apesares depois, até a realidade encanta
No mínimo, curioso
E não, mesmo que seja verdade, nunca uso Adeus
A nós.


mai 2007


Foto: Luciana Zacarias

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